| O Nome do Tabu

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Apresentado por
Graça Frees

Graça Frees é criadora do Nú Entre Amores — um confessionário moderno sobre desejo, intimidade e verdade emocional.
Sua voz percorre os espaços onde o amor pulsa sem roteiro: entre a pele e o silêncio, entre o medo e a entrega.
Com sensibilidade e coragem, ela convida para conversas nuas — aquelas que não cabem nas versões editadas da vida.
Mais do que um podcast, seu trabalho é um convite: sentir mais, esconder menos.

O tabu não nasce do prazer.
Ele nasce do medo de ser quem somos quando ninguém está olhando.

Bem-vindos ao Nú Entre Amores.
O espaço onde a alma respira, o corpo se solta e o coração encontra coragem para se ouvir.

Este é o Quadro Aurora, um lugar de despertares, recomeços e pequenas iluminações internas que aparecem quando a gente ousa olhar de novo.

Hoje vamos falar sobre o tabu.
Esse visitante antigo que mora entre:

  • a culpa e o desejo,
  • o medo e a curiosidade,
  • o que sentimos e o que nos ensinaram a sentir.

Mas talvez o maior tabu não seja sobre sexo, corpo ou prazer.
Talvez o tabu mais profundo seja… nós mesmos.

Eles não surgem de repente.
Eles se constroem aos poucos — como poeira fina sobre o que é natural, vivo e humano.

O tabu é:

  • o medo disfarçado de moral,
  • o silêncio vestido de virtude,
  • o riso sem graça quando o tema toca no prazer ou no corpo.

Mas o tabu, antes de tudo, é um espelho.

E hoje, vamos seguir Sofia,
uma mulher que tentou se reconectar consigo e descobriu que o tabu dela…
não era o sexo.
Era o medo de ser vista.

O Tabu de Sofia

O Retiro

Era uma sexta-feira chuvosa quando Sofia chegou ao retiro.
Um casarão antigo no alto da colina, cheiro de terra molhada, brisa fria.
Ela vinha de meses de exaustão após um término silencioso —
daqueles em que ninguém briga, mas tudo desmorona devagar.

Na mala:

  • roupas leves,
  • um caderno novo,
  • e um medo antigo — o de se encontrar.

Logo na primeira noite, o grupo se sentou em roda cercado de velas e almofadas.
Ravi, o instrutor, os recebeu com uma voz calma:

“Hoje, não precisamos entender nada.
Só precisamos sentir.”

O Papel e a Palavra

Ravi pediu que cada pessoa escrevesse seu maior tabu.

Sofia travou.
O lápis pesava.
As palavras rodavam:

“sexo”, “orgasmo”, “corpo”, “vergonha”…

Mas nenhuma era realmente a dela.

Então veio um arrepio.
Um chamado interno.

O tabu de Sofia não era o prazer.
Era ser ela mesma.
Ser vista.
Ser inteira.

Ela escreveu:

“Eu mesma.”

E foi ali que algo começou a se mover dentro dela.

O Despertar Sensorial

No dia seguinte, participaram de uma prática chamada escuta do corpo.

Olhos vendados.
Silêncio.
Apenas o toque leve na própria pele —
não erótico, mas profundamente íntimo.

Sofia hesitou.
O corpo tremia.
Mas, devagar, algo nela começou a mudar.

Descobriu que:
o toque não era pecado.
O calor da própria pele não era ameaça.
Era acolhimento.

Ela chorou —
não de tristeza, mas de alívio.
De retorno.

Era como reencontrar a menina que um dia aprendeu que sentir era errado.
E agora, a mulher que ela se tornou dizia:

“Tá tudo bem. Você pode sentir.”

O Exercício do Espelho

No terceiro dia, o desafio:
olhar-se no espelho e dizer em voz alta o que via.

Sofia sentou-se diante do reflexo.

Primeiro, viu o que sempre viu:
olheiras, linhas de expressão, cabelo desalinhado.

Mas aos poucos, o olhar mudou.

Ela viu:

  • o brilho dos olhos,
  • a força nos ombros,
  • a delicadeza dos lábios.

E sussurrou:

“Meu corpo é meu lar.”

O corpo pareceu responder:
“Obrigada por voltar.”

O Último Encontro

Na última noite do retiro, o grupo se reuniu ao redor da fogueira.
Risos, vinho e gratidão no ar.

Ravi se sentou ao lado de Sofia:

“Encontrou seu tabu?”
“Achava que era o sexo… mas era a vergonha de ser eu.”
“Então você encontrou o caminho.
O tabu é a porta.
O que vem depois… é liberdade.”

O fogo estalava enquanto eles ficavam em silêncio.
Era como se a fumaça levasse embora o que já não servia.

Reflexão

O tabu é o lugar onde nossa alma esconde o que ainda não sabe acolher.

Ele nasce quando:

  • trocamos amor próprio por aprovação,
  • silenciam nosso desejo,
  • transformam nosso corpo em inimigo.

Mas o tabu também é mestre.
Ele aponta onde dói —
e onde ainda podemos crescer.

Quando damos nome ao tabu,
tiramos dele o poder.

Perguntas Para Reflexão

  • Qual tabu vive escondido dentro de você?
  • Existe algo que te causa vergonha — mesmo sem saber por quê?
  • Que parte sua você ainda não se permitiu enxergar com carinho?
  • Como seria viver sem medo do julgamento?
  • Quem você seria se permitisse ser vista?

Sofia voltou para casa diferente —
não porque se tornou outra pessoa,
mas porque voltou a ser quem sempre foi.

E então entendeu:

A Aurora não nasce fora.
Ela nasce dentro.
No instante em que acendemos luz onde antes havia medo.

Que você também encontre seu nascer.
Porque quebrar o tabu começa com algo simples —
dar um nome a ele.

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Episódio 16